A formulação das cidades criativas introduz alguns elementos que devem ser tidos em conta: o espaço urbano está povoado de sujeitos e iniciativas que produzem incessantemente altos níveis de inovação e criatividade difusa. De forma permanente, e seguindo parâmetros muitas vezes estranhos para a lógica económica, os ambientes urbanos acolhem no seu seio dinâmicas de cooperação altamente produtivas e inovadoras. No âmbito da produção cultural é fácil apreciar estas redes, colectivos e singularidades criativas que são, na maioria das vezes, alheias à forma empresa: bandas de música e cenários teatrais, arte de rua e desenhadores amadores, laboratórios domésticos de experimentação tecnológica e oficinas plásticas, intercâmbio difuso de saberes, técnicas e habilidades, a lista é certamente longa.
Os grandes teóricos e gestores das Indústrias Criativas reconhecem que são as bacias de cooperação metropolitana os principais produtores de riqueza e valor acrescentado no âmbito da produção cultural.
Enquanto que as empresas e o sector privado procuram fórmulas para moldar esta cooperação de forma a que possa ser rentável em termos económicos, a verdade é que os milhares de criadores invisíveis, que dão forma à cultura nas nossas cidades, mostram-se capazes de criar espaços e formas institucionais próprias, baseadas na colaboração e criação livre e colaborativa. Esta oficina procura, através da análise de experiências concretas, aproximar-nos ao ecossistema dos trabalhadores do sector cultural e a sua capacidade para construir, fora da lógica mercantil, espaços e tempos para a liberdade, autonomia e cooperação.
Quinta-feira, 12 de novembro, 16h30 – 18h00

